Inúmeras são as vezes que escutamos comentaristas profissionais e também os do nosso dia-a-dia falando sobre esse novo e atualizado futebol, o futebol moderno. Esse tema veio à tona devido a participação efetiva dos volantes William Magrão e Rafael Carioca ontem no jogo contra o Vitória, já que essa posição talvez seja o principal alvo de mudança nessa atualização do futebol.
A versatilidade traduz a diferença do futebol moderno para o que nós conhecemos. Hoje em dia é quase obrigatório que um jogador atue em mais de uma posição, dando mais possibilidades de mudança de esquema e de posições para aquele que comanda a equipe. Dos 11 que começaram a partida ontem, por exemplo, sete já atuaram em mais de uma posição sem ser a sua de origem (Thiego - lateral-esquerda, Réver - volante, Carioca e Magrão - 1º, 2º e 3º homem de meio campo, Tcheco - volante, Pico e Paulo Sérgio - meio-campo), e ainda Souza e Makelelê que jogam também de lateral-direito e atacante, respectivamente.
A extinção do cabeça de área/centro-médio/volante de contenção e dos pontas direito e esquerdo é outro fato que se tornou notoriamente visado pelos profissionais do futebol, sendo que essa alteração na primeira posição comentada é o que está na moda se falar. Essa história de volantes que sabem marcar e sair para o jogo é tão repetitiva que é até chato escrever algo tão simplório da cultura popular futebolística. Volantes, assim como os zagueiros e atacantes, formam duplas que nunca esqueceremos, justamente por causa de sua variação de características. Adílson e Rivarola, Dinho e Goiano, Paulo Nunes e Jardel, Jeovânio e Lucas, Gavillan e Sandro, Eduardo Costa e Tinga. Na zaga e no meio, sempre um era de classe e o outro de força. No ataque, um de velocidade e outro de finalização. E assim eles se completavam.
E no caso dos pontas? Há quem diga que não existiu melhor ataque no Grêmio do que aquele Tarciso, André e Éder nos anos 70. Times que jogavam no praticamente extinto 4-3-3. E o futebol era solto, faceiro e de muitos gols.
Hoje presenciamos aulas táticas, de horas de estudo, de preocupações detalhadas, de melhores alternativas dispostas. O futebol se desenvolve de maneira exponencial, onde ganha quem estuda melhor as disposições táticas. Nada mais de sangue na testa e carrinhos por trás, agora os jogos tem o tempo de bola parada muito superior ao de bola rolando e são cheios de não-me-toques.
Não ao futebol moderno. É o que diz o trapo na Geral do Grêmio. É o que reflete o nosso sentimento na busca de dias de glória como a final contra o Peñarol à 25 anos atrás.