Depois de alguns minutos de reflexão após o término do jogo da Argentina, que eliminou o Brasil dos jogos Olímpicos, notei a obrigatoriedade de expôr algumas idéias de forma escrita.
Claro que, como conhecedor do futebol, sei que não se pode comentar o óbvio, que é falar mal do Brasil depois de tomar 3 gols da Argentina e ainda ter dois jogadores expulsos. Sei também que, ficar reclamando e xingando alguns jogadores é algo que de nada adianta. Se alguma dessas características se encaixa com o seu perfil, por favor, reveja seus conceitos.
Posso até parecer irritado devido a forma com que escrevo, mas depois de ouvir comentários como: "Á, se o Edinho estivesse aí o Mascherano já tinha saído..." com o dedo em riste e voz em alto e bom som, vi como enxergamos muito pouco a nossa frente, quando o assunto é futebol.
E tem uma razão. Vivemos em um país onde o futebol é elástico, de uma plasticidade sem igual, de jogadas exuberantes e dribles inovadores. Estamos acostumados com jogadores que estão sempre rindo. Posso até dar o exemplo de Robinho, depois do Brasil ter perdido para o Paraguai por 2 a 0, saiu de campo como se nada tivesse acontecido. É...essas coisas acontecem. Alguém por acaso lembra de algum lance bom da dupla de zaga da seleção? Claro que não. Em compensação, se o Pato faz gols de letra e o escambal (que por sinal, faz tempo que sumiu do futebol...), no outro dia é a sua foto que está na capa dos jornais.
Ora, veja bem...Edinho. Edinho!?! Um volante que passa os 90 minutos de jogo procurando acertar os adversários e sem técnica nenhuma. Por isso me recuso a comentar mais sobre ele, uma linha já é o suficiente para descrevê-lo.
Hoje nos sites esportivos vemos a notícia de que a jovem dupla de volantes do Grêmio impressiona devido ao baixíssimo número de faltas cometidas e cartões amarelos. E isso é valorizado por nós brasileiros? Note, eu falei b-r-a-s-i-l-e-i-r-o-s. E a resposta é não. Quantos são os repórteres que já dedicaram mais de 20 segundos falando sobre a simplicidade do zagueiro Réver? Ou até mesmo do esforço de Thiego? É...fica difícil responder.
E essa obviedade que nos é relatada realmente é assustadora. Enquanto esperarmos por lances mágicos ao invés de gols simples, enquanto tivermos medo de dividir a bola seja em qual momento do jogo for, enquanto deixarmos de encarar as coisas como elas realmente são, continuaremos a ter que nos contentar com o 38º lugar no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
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Um comentário:
Ora, meu caro, não seja tão pessimista! Afinal, o Brasil é o campeão de pelo menos um metal nessas Olimpíadas: é o país que mais tá levando ferro...
Abraço!
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