sexta-feira, 29 de agosto de 2008
GREnal 372 "B"
Mais um GREnal marcante na história dos clássicos. Claro que qualquer um dos 372 de até hoje guardam histórias e fatos marcantes, porém esse último aparentou ares de preocupação. Preocupação para o lado vermelho, que jogava com a obrigação da vitória por enfrentar os reservas e alguns reservas dos reservas do Grêmio. Reservas dos reservas pela explicação óbvia de que, o reserva de Paulo Sérgio é Felipe Mattioni e não Makelelê. O reserva do ataque é Reinaldo, e não Soares. Mas tudo bem, de qualquer forma o Grêmio disposto em campo era o "B". Muitos lances de gol, jogo truncado, jogadas violentas, roubadas de bola de cinema e aquela velha emoção de sempre. Depois de um primeiro tempo com chances iguais, o placar inalterado pareceu justo. Veio a segunda etapa e logo no início Nilmar marcou seu gol e Índio depois ampliou o placar. Sim, 2 a 0, Grêmio com a classificação praticamente entregue, 30 do segundo tempo e então penso eu: acabou. Claro que isso é brincadeira, pois quem conhece o Grêmio sabe que as partidas tem roteiro de cinema como em filmes de suspense. Perea na área, Índio até agora dando carrinho em Porto Alegre, gol. 41, Orteman pega a bola no meio de campo, André Luís se encontra a sua direita, ele olha para lá, os 23 mil gremistas também olham, mas ele lança para Soares que chuta a gol e bem, daí em diante, é tão engraçado que prefiro nem contar. 2 a 2 e até quem vaiou a saída de Rudnei, até quem estava em casa e desligou a TV ou o rádio, passou a entender o pavor de Bolívar e Marcão ao chutar a bola para todos os lados. A placa dos acréscimos sobe, 3 minutos assinala o árbitro. 46 e 20, e o Grêmio tem escanteio a seu favor...não seria nada de errado se a equipe tricolor marcasse o terceiro gol, afinal, o copeirismo nos mostra que se somos assim, não é por acaso. Mas tudo bem, Grêmio B 2 X 2 internacional, eles com o regulamento seguem na copa, nós com nossos treinos de luxo contra o time milionário, mantemos a liderança no Brasileirão. Pena que o horário só permitiu que 23 mil pessoas vissem um bom treino-coletivo...
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Obviedade assustadora.
Depois de alguns minutos de reflexão após o término do jogo da Argentina, que eliminou o Brasil dos jogos Olímpicos, notei a obrigatoriedade de expôr algumas idéias de forma escrita.
Claro que, como conhecedor do futebol, sei que não se pode comentar o óbvio, que é falar mal do Brasil depois de tomar 3 gols da Argentina e ainda ter dois jogadores expulsos. Sei também que, ficar reclamando e xingando alguns jogadores é algo que de nada adianta. Se alguma dessas características se encaixa com o seu perfil, por favor, reveja seus conceitos.
Posso até parecer irritado devido a forma com que escrevo, mas depois de ouvir comentários como: "Á, se o Edinho estivesse aí o Mascherano já tinha saído..." com o dedo em riste e voz em alto e bom som, vi como enxergamos muito pouco a nossa frente, quando o assunto é futebol.
E tem uma razão. Vivemos em um país onde o futebol é elástico, de uma plasticidade sem igual, de jogadas exuberantes e dribles inovadores. Estamos acostumados com jogadores que estão sempre rindo. Posso até dar o exemplo de Robinho, depois do Brasil ter perdido para o Paraguai por 2 a 0, saiu de campo como se nada tivesse acontecido. É...essas coisas acontecem. Alguém por acaso lembra de algum lance bom da dupla de zaga da seleção? Claro que não. Em compensação, se o Pato faz gols de letra e o escambal (que por sinal, faz tempo que sumiu do futebol...), no outro dia é a sua foto que está na capa dos jornais.
Ora, veja bem...Edinho. Edinho!?! Um volante que passa os 90 minutos de jogo procurando acertar os adversários e sem técnica nenhuma. Por isso me recuso a comentar mais sobre ele, uma linha já é o suficiente para descrevê-lo.
Hoje nos sites esportivos vemos a notícia de que a jovem dupla de volantes do Grêmio impressiona devido ao baixíssimo número de faltas cometidas e cartões amarelos. E isso é valorizado por nós brasileiros? Note, eu falei b-r-a-s-i-l-e-i-r-o-s. E a resposta é não. Quantos são os repórteres que já dedicaram mais de 20 segundos falando sobre a simplicidade do zagueiro Réver? Ou até mesmo do esforço de Thiego? É...fica difícil responder.
E essa obviedade que nos é relatada realmente é assustadora. Enquanto esperarmos por lances mágicos ao invés de gols simples, enquanto tivermos medo de dividir a bola seja em qual momento do jogo for, enquanto deixarmos de encarar as coisas como elas realmente são, continuaremos a ter que nos contentar com o 38º lugar no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos.
Claro que, como conhecedor do futebol, sei que não se pode comentar o óbvio, que é falar mal do Brasil depois de tomar 3 gols da Argentina e ainda ter dois jogadores expulsos. Sei também que, ficar reclamando e xingando alguns jogadores é algo que de nada adianta. Se alguma dessas características se encaixa com o seu perfil, por favor, reveja seus conceitos.
Posso até parecer irritado devido a forma com que escrevo, mas depois de ouvir comentários como: "Á, se o Edinho estivesse aí o Mascherano já tinha saído..." com o dedo em riste e voz em alto e bom som, vi como enxergamos muito pouco a nossa frente, quando o assunto é futebol.
E tem uma razão. Vivemos em um país onde o futebol é elástico, de uma plasticidade sem igual, de jogadas exuberantes e dribles inovadores. Estamos acostumados com jogadores que estão sempre rindo. Posso até dar o exemplo de Robinho, depois do Brasil ter perdido para o Paraguai por 2 a 0, saiu de campo como se nada tivesse acontecido. É...essas coisas acontecem. Alguém por acaso lembra de algum lance bom da dupla de zaga da seleção? Claro que não. Em compensação, se o Pato faz gols de letra e o escambal (que por sinal, faz tempo que sumiu do futebol...), no outro dia é a sua foto que está na capa dos jornais.
Ora, veja bem...Edinho. Edinho!?! Um volante que passa os 90 minutos de jogo procurando acertar os adversários e sem técnica nenhuma. Por isso me recuso a comentar mais sobre ele, uma linha já é o suficiente para descrevê-lo.
Hoje nos sites esportivos vemos a notícia de que a jovem dupla de volantes do Grêmio impressiona devido ao baixíssimo número de faltas cometidas e cartões amarelos. E isso é valorizado por nós brasileiros? Note, eu falei b-r-a-s-i-l-e-i-r-o-s. E a resposta é não. Quantos são os repórteres que já dedicaram mais de 20 segundos falando sobre a simplicidade do zagueiro Réver? Ou até mesmo do esforço de Thiego? É...fica difícil responder.
E essa obviedade que nos é relatada realmente é assustadora. Enquanto esperarmos por lances mágicos ao invés de gols simples, enquanto tivermos medo de dividir a bola seja em qual momento do jogo for, enquanto deixarmos de encarar as coisas como elas realmente são, continuaremos a ter que nos contentar com o 38º lugar no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
O Brasileiro e as tradições
Mais uma vitória. E assim o Grêmio vai empilhando pontos e mais pontos na busca do tri campeonato brasileiro. Os números e as estatísticas comprovam e dizem o que o torcedor quer saber. Desde quando o campeonato nacional passou a ter a fórmula dos pontos corridos, o campeão do primeiro turno sagrou-se vencedor da competição. Faltando apenas uma rodada para o fim dessa fase inicial, o tricolor gaúcho tem tudo para conseguir esse feito. Nos últimos anos o Grêmio tem aprendido a jogar nessa nova fórmula do campeonato, ficando em 3º e 6º nos anos 2006 e 2007, respectivamente. Digo que tem aprendido pois na antiga fórmula do classifica e depois mata-mata a tradição era forte. No último título brasileiro, em 96 (foto), o Grêmio classificou-se em 6º e foi campeão devido a essa clássica tradição de ser um time copeiro.
Hoje, vivemos de loucura. Do fogo de uma paixão que reacendeu em 2005 na Série B, quando, mais que nunca, o Grêmio precisou do nosso apoio. E isso continua, em um alento incondicional nos 90 minutos, na boa ou na ruim. Antes dessa época, a torcida ia ao estádio acostumada a ver o Grêmio detentor de títulos importantes, um Grêmio sempre vencedor, um time sem medo. Onde antes de entrar em campo gritavávamos o cântico "Olelê olálá, o Grêmio vem aí e o bicho vai pegar". Perdemos, aprendemos com a lição e agora estamos de volta ao topo. De um lugar costumeiro a nós gremistas, que mesmo não sendo acreditados pelos demais, estamos conseguindo passo-a-passo realizar os nossos objetivos. Deixemos de lado os times milionários e suas contratações, dedicamos o nosso apoio exclusivamente a busca dos nossos sonhos. O Brasil, a América e o Mundo. Com calma, por enquanto vamos apenas a Minas...
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
O tal "futebol moderno"
Inúmeras são as vezes que escutamos comentaristas profissionais e também os do nosso dia-a-dia falando sobre esse novo e atualizado futebol, o futebol moderno. Esse tema veio à tona devido a participação efetiva dos volantes William Magrão e Rafael Carioca ontem no jogo contra o Vitória, já que essa posição talvez seja o principal alvo de mudança nessa atualização do futebol.
A versatilidade traduz a diferença do futebol moderno para o que nós conhecemos. Hoje em dia é quase obrigatório que um jogador atue em mais de uma posição, dando mais possibilidades de mudança de esquema e de posições para aquele que comanda a equipe. Dos 11 que começaram a partida ontem, por exemplo, sete já atuaram em mais de uma posição sem ser a sua de origem (Thiego - lateral-esquerda, Réver - volante, Carioca e Magrão - 1º, 2º e 3º homem de meio campo, Tcheco - volante, Pico e Paulo Sérgio - meio-campo), e ainda Souza e Makelelê que jogam também de lateral-direito e atacante, respectivamente.
A extinção do cabeça de área/centro-médio/volante de contenção e dos pontas direito e esquerdo é outro fato que se tornou notoriamente visado pelos profissionais do futebol, sendo que essa alteração na primeira posição comentada é o que está na moda se falar. Essa história de volantes que sabem marcar e sair para o jogo é tão repetitiva que é até chato escrever algo tão simplório da cultura popular futebolística. Volantes, assim como os zagueiros e atacantes, formam duplas que nunca esqueceremos, justamente por causa de sua variação de características. Adílson e Rivarola, Dinho e Goiano, Paulo Nunes e Jardel, Jeovânio e Lucas, Gavillan e Sandro, Eduardo Costa e Tinga. Na zaga e no meio, sempre um era de classe e o outro de força. No ataque, um de velocidade e outro de finalização. E assim eles se completavam.
E no caso dos pontas? Há quem diga que não existiu melhor ataque no Grêmio do que aquele Tarciso, André e Éder nos anos 70. Times que jogavam no praticamente extinto 4-3-3. E o futebol era solto, faceiro e de muitos gols.
Hoje presenciamos aulas táticas, de horas de estudo, de preocupações detalhadas, de melhores alternativas dispostas. O futebol se desenvolve de maneira exponencial, onde ganha quem estuda melhor as disposições táticas. Nada mais de sangue na testa e carrinhos por trás, agora os jogos tem o tempo de bola parada muito superior ao de bola rolando e são cheios de não-me-toques.
Não ao futebol moderno. É o que diz o trapo na Geral do Grêmio. É o que reflete o nosso sentimento na busca de dias de glória como a final contra o Peñarol à 25 anos atrás.
A versatilidade traduz a diferença do futebol moderno para o que nós conhecemos. Hoje em dia é quase obrigatório que um jogador atue em mais de uma posição, dando mais possibilidades de mudança de esquema e de posições para aquele que comanda a equipe. Dos 11 que começaram a partida ontem, por exemplo, sete já atuaram em mais de uma posição sem ser a sua de origem (Thiego - lateral-esquerda, Réver - volante, Carioca e Magrão - 1º, 2º e 3º homem de meio campo, Tcheco - volante, Pico e Paulo Sérgio - meio-campo), e ainda Souza e Makelelê que jogam também de lateral-direito e atacante, respectivamente.
A extinção do cabeça de área/centro-médio/volante de contenção e dos pontas direito e esquerdo é outro fato que se tornou notoriamente visado pelos profissionais do futebol, sendo que essa alteração na primeira posição comentada é o que está na moda se falar. Essa história de volantes que sabem marcar e sair para o jogo é tão repetitiva que é até chato escrever algo tão simplório da cultura popular futebolística. Volantes, assim como os zagueiros e atacantes, formam duplas que nunca esqueceremos, justamente por causa de sua variação de características. Adílson e Rivarola, Dinho e Goiano, Paulo Nunes e Jardel, Jeovânio e Lucas, Gavillan e Sandro, Eduardo Costa e Tinga. Na zaga e no meio, sempre um era de classe e o outro de força. No ataque, um de velocidade e outro de finalização. E assim eles se completavam.
E no caso dos pontas? Há quem diga que não existiu melhor ataque no Grêmio do que aquele Tarciso, André e Éder nos anos 70. Times que jogavam no praticamente extinto 4-3-3. E o futebol era solto, faceiro e de muitos gols.
Hoje presenciamos aulas táticas, de horas de estudo, de preocupações detalhadas, de melhores alternativas dispostas. O futebol se desenvolve de maneira exponencial, onde ganha quem estuda melhor as disposições táticas. Nada mais de sangue na testa e carrinhos por trás, agora os jogos tem o tempo de bola parada muito superior ao de bola rolando e são cheios de não-me-toques.
Não ao futebol moderno. É o que diz o trapo na Geral do Grêmio. É o que reflete o nosso sentimento na busca de dias de glória como a final contra o Peñarol à 25 anos atrás.
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